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O casal de idosos Guiomar Barbosa da Silva Nascimento, 71, e Raimundo Paulo Nascimento, 74, realizou um sonho antigo e oficializou a união na igreja após 51 anos de relação. A cerimônia religiosa aconteceu na última segunda-feira (30) em uma igreja católica no bairro Lourival Parente. O casamento era um sonho do casal que hoje tem três filhos, seis netos e um bisneto.

 

Seu Raimundo e dona Guiomar se conheceram ainda na década de 60, em uma pensão nas proximidades da barragem da Boa Esperança, e um mês depois oficializaram o relacionamento. “Não tivemos namoro, com um mês a gente já estava casado”, conta o seu Raimundo Paulo, com a felicidade estampada no rosto por poder contar a história da família.

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O aposentado conta que o amor por dona Guiomar foi à primeira vista. “Eu a vi passando e falei para a tia dela, que era a dona da pensão, ‘eu vou me casar com a sua sobrinha’”, relata ele. Dias depois de ver a futura esposa pela primeira vez, seu Raimundo Paulo conta que encontrou dona Guiomar na rua e lhe pediu em casamento.

Mesmo sem conhecer o futuro marido, dona Guiomar disse sim e avisou que o noivo deveria pedir sua mão à família. Sem o pai, a mão da moça foi pedida a um tio, que levou alguns dias para falar com a mãe dela e ter a autorização para o casamento. Um mês depois, em 15 de janeiro de 1967, os dois oficializaram a união em um casamento civil.

O primeiro filho do casal só veio no ano de 1969. Juciê da Silva Nascimento nasceu quando os pais já pensavam em adotar uma criança e foi o primeiro de quatro filhos que o casal teria. Além dele, também vieram Juciede, Juciene e Jociler. O mais novo, Jociler, desapareceu na maternidade depois do nascimento. “Eu era caminhoneiro e estava viajando quando ela entrou em trabalho de parto, a gente só ficou sabendo que ele tinha morrido, mas nunca chegamos a ver o corpo”, diz o seu Raimundo Paulo, enfatizando que se o filho estivesse vivo teria hoje 41 anos.

A vida do casal não foi fácil. Em plena Ditadura Militar, com poucos empregos e sem ter o que comer, a família morou de favor na casa de parentes por alguns anos, até conseguir uma casa no bairro Parque Piauí, na zona Sul de Teresina. Pouco tempo depois, a família juntou o pouco que tinha e comprou um terreno no bairro vizinho, o Lourival Parente. Lá, dona Guiomar e o marido construíram a casa onde moram hoje com dois filhos e quatro netos.

“A primeira casa que construímos aqui era de palha. Depois, fomos construindo aos poucos. Ainda falta muita coisa para terminar, mas vou terminar antes de morrer”, diz o pai que era caminhoneiro, mostrando a casa que tem um alpendre amplo, com várias plantas e cadeiras para os visitantes. Segundo ele, o seu sonho é comprar uma mesa de jantar grande para juntar toda a família durante as refeições.


O casamento

A matriarca conta que a decisão de casar na igreja veio por insistência de uma das netas, após comentar que o seu maior sonho era receber a hóstia. “Meu maior sonho era receber a hóstia, e eu soube que quem não era casada no religioso não podia. Eu sou de dentro da igreja, participo da legião de Maria, e para mim sempre foi um sonho receber o corpo de Cristo”, diz a dona de casa.

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A cerimônia foi adiada por um ano devido a problemas de saúde do marido, que está enfrentando uma batalha contra o câncer. Com a melhora do seu Raimundo Paulo, o casamento foi realizado no dia do seu aniversário e contou com a presença de vários familiares, inclusive irmãs de dona Guiomar que moram no interior do Piauí.

O casal celebrou a nova etapa da união com tudo que tinham direito, incluindo troca de alianças e uma festa com bolo de casamento. A matriarca entrou na igreja vestida de noiva com buquê de rosas vermelhas, acompanhada dos dois filhos mais velhos.

Quando perguntados sobre o que esperam para os próximos anos de casamento, eles são enfáticos. “Mais respeito e mais cuidado um com o outro”, dizem os dois, que hoje passam por problemas de saúde, mas continuam apaixonados como no dia em que se conheceram. “Eu não sei o que teria sido de mim sem ela”.

Sobre o ensinamento que eles deixam para os novos casais, após mais de cinco décadas de convivência, a dona de casa diz que é preciso ter muita paciência e não desistir no primeiro obstáculo. “As pessoas hoje quando casam já dizem que, se não der certo, eles largam. Mas tem que pensar que vai dar certo”, diz dona Guiomar, que espera viver mais 100 anos ao lado do seu primeiro amor.

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